Tem ocorrido um processo de transformação da mobilidade residencial em Lisboa, Portugal. Este artigo da Revista Cadernos Metrópole nº 41 aponta que tal mobilidade é determinada por fatores econômicos, sociais, culturais e psicológicos que resultam numa alteração gradual da estrutura social da cidade e dos padrões de ocupação do território.

A partir de inquérito com habitantes da cidade, o estudo permitiu traçar o perfil dos residentes e daqueles que realizam mudanças de residência bem como os tipos de experiência residencial no âmbito do município. “Essa dinâmica residencial se caracteriza ainda por uma forte mobilidade interna, expressa no peso da mudança de residência dentro da mesma freguesia, apesar de menos expressiva entre freguesias”, aponta a análise.

O artigo Mudar de casa em Lisboa: perfis socioeconômicos da recente mobilidade residencial, de Maria do Rosário Jorge, João Fernandes, Patrícia Pereira, Cláudia Urbano, João Seixas e Luís Vicente Baptista, integra o dossiê “Mobilidade Espacial” da Revista Cadernos Metrópole edição nº 41.

Abstract

The changes that have been occurring recently in Lisbon are largely related to residential mobility dynamics, their causes and consequences. The choice of the residential area, determined by economic, social, cultural and psychological factors, results in a gradual change of the city’s social structure and the territory’s occupation patterns. This paper, based on the results of a survey carried out in Lisbon between 2016 and 2017, contributes to a deeper understanding of these changes by analysing the territorial and temporal dimensions of mobility and also the socioeconomic profiles of the city’s oldest and newest residents. Given the diversity of residential mobility experiences, multivariate analysis was used to define five profiles with different social characteristics.

 

INTRODUÇÃO

Por Maria do Rosário Jorge, João Fernandes, Patrícia Pereira, Cláudia Urbano, João Seixas e Luís Vicente Baptista

O trabalho que aqui se apresenta se insere num conjunto de análises das dinâmicas e pressões que têm alterado de forma crescente os padrões residenciais das cidades e, por conseguinte, a sua estrutura social. A recente mobilidade residencial numa cidade como Lisboa afirma-se como uma dimensão que importa analisar e interpretar, de forma a aumentar o conhecimento sobre os fatores – da mais variada índole – que podem estar a alterar as dinâmicas nos territórios – e entre territórios – no interior da cidade, alterando-a assim como um todo.

O estudo “Inquirição aos munícipes e principais agentes da cidade de Lisboa: qualidade de vida e governação urbana”, realizado entre novembro de 2016 e janeiro de 2017, foi financiado pela Câmara Municipal de Lisboa e realizado pelo CICS.NOVA-Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Nesse estudo, foi aplicado questionário que teve como objetivo analisar a qualidade de vida na cidade de Lisboa, incluindo um conjunto alargado de questões sobre a perceção e a satisfação dos residentes relativamente a diversos indicadores de qualidade de vida urbana, as características da habitação, mobilidade residencial, transportes e mobilidade urbana ou participação cívica e política. Essa análise pretendeu aferir se as recentes alterações no âmbito administrativo, concretamente a Reforma Administrativa de Lisboa, tiveram impacto na percepção da qualidade de vida na cidade.

Para este artigo, procurou-se perceber os padrões de permanência bem como de transição territorial, distinguindo as características dos residentes que nunca mudaram de residência e dos que mudaram, aprofundando, neste último grupo, a análise da dimensão temporal e territorial da mobilidade, identificando origens geográficas, tipos de mobilidade e perfis socioeconômicos dos residentes em Lisboa.

Por um lado, a compreensão da dimensão territorial integra a análise da mobilidade residencial interna – e a mobilidade externa –, considerando as mobilidades a partir de outros concelhos ou de outros países. Por outro lado, a compreensão da dimensão temporal distingue a análise da mobilidade recente – os residentes que mudaram de casa há menos de 10 anos – e a que se verificou há 10 ou mais. Por fim, identificam-se perfis socioeconômicos associados aos tipos de mobilidade, caracterizando os grupos de residentes de acordo com as seguintes variáveis: grupo de idade, nível de escolaridade, indicador socioprofissional de classe do agregado, regime de ocupação da habitação, tipo do agregado doméstico e razões de escolha da área de residência.

Leia o artigo completo na edição nº 41 da Revista Cadernos Metrópole.