A nova classe média brasileira: contribuição para um debate político

By 02/05/2012 dezembro 7th, 2017 Artigos Científicos
A nova classe média brasileira: contribuição para um debate político

A nova classe média brasileira: contribuição acadêmica a um debate político

De acordo com projeções internacionais, a classe média global deve ao menos dobrar de tamanho até 2030, chegando a cinco bilhões de pessoas. O Brasil também segue essa tendência. O jornal espanhol “El Pais” publicou a reportagem ”La nueva clase media brasileña dispara la fiebre consumista”, no qual apontava que nos últimos anos no Brasil mais de 30 milhões de pessoas teriam entrado para a chamada nova classe média. Neste artigo, o pesquisador André Salata discute as diversas definições de classe média utilizadas para se chegar a esses dados confrontando as perspectivas econômicas e sociológicas, e mostra que pode haver significativas diferenças na mensuração dessa camada e no peso atribuído a ela.

NOTAS SOBRE A TESE DA NOVA CLASSE MÉDIA BRASILEIRA
Por André Salata 

INTRODUÇÃO
Há poucos dias atrás o jornal espanhol “El Pais” publicava uma matéria intitulada “La nueva clase media brasileña dispara la fiebre consumista”, onde constatava que nos últimos anos no Brasil mais de trinta milhões de pessoas teriam entrado para a chamada “nova classe média”, expandindo assim o mercado interno. Já a revista “The Economist” anunciava em 12 de Maio de 2011 – baseando-se em dados do Banco Africano de Desenvolvimento – que a classe média na  África, que em 2000 representava apenas um quarto da população, em 2010 chegava a um terço da mesma. Em 21 de Julho de 2011 a mesma revista exibia uma reportagem constatando o enorme crescimento da classe média na Indonésia (agora baseando-se em dados do Banco Mundial e do Banco Nomura), que, se em 2004 englobava apenas 1,6 milhões de pessoas (o que é bem modesto quando levamos em conta a população de aproximadamente 238 milhões de pessoas daquele país) passara a englobar quase 50 milhões de pessoas em 2009 e, segundo algumas previsões, chegaria a aproximadamente 150 milhões de pessoas em 2014. Já a classe média Chinesa, segundo projeções do NCAER (Conselho Nacional de Pesquisa em Economia Aplicada, da Índia), deverá crescer 67% nos próximos cinco anos, chegando a 267 milhões de pessoas. De acordo com algumas projeções, inclusive, a classe média global deve ao menos dobrar de tamanho até 2030, chegando a cinco bilhões de pessoas.

Mas, quando se faz esse tipo de afirmação, sobre a crescente importância deste segmento social, o que exatamente está se denominando classe média? Como ela tem sido mensurada para formar os dados que servem de base a essas reportagens? E, mais importante, com base em quais argumentos e referências essas definições têm sido construídas e utilizadas?

São diversas as definições de classe média utilizadas para se chegar a esses dados, podendo haver significativas diferenças na mensuração dessa camada, e no peso atribuído a ela, variando de acordo com a definição utilizada. Mas, por mais que haja tamanha variação, a maior parte dos dados citados anteriormente – e também dos inúmeros outros dados que têm sido produzidos sobre o tema – apresentam um ponto em comum: em geral se utiliza a renda, e somente a renda, como variável para a identificação da classe média. As diferenças dizem respeito à maneira como a renda é trabalhada posteriormente, a fim de se identificar aquela camada, mas não à qual variável original.

Como veremos na seção seguinte, essa maneira de se identificar as classes médias surge nos estudos da área econômica, e hoje em dia podemos encontrar uma grande discussão a esse respeito, girando em torno principalmente da “melhor” maneira de se tratar a variável “renda” a fim de se identificar a “classe média”. Veremos também que há uma grande distância entre essa forma de se tratar a classe média – ou as classes de uma maneira mais geral -, típica dos estudos econômicos, e o modo como a literatura sociológica procura definir e identificar as classes – ou, mais especificamente, a classe média.

Acesse o artigo completo “Notas sobre a Tese da Nova Classe Média Brasileira”, do pesquisador André Salata, aqui.